segunda-feira, 12 de outubro de 2009

dia 1 - a primeira manhã



Era uma hora da tarde quando entrei finalmente no International Tourist Bureau da estação de comboios de Delhi. Depois de uma manhã passada entre falsos funcionários dos caminhos de ferro indianos, comissionistas de agências de turismo "oficiais" e turistas enganados, senti pela primeira vez que alguma coisa começava de facto a correr francamente bem. Talvez o sentimento tenha sido empolado pelo ar condicionado que me secou a pele, molhada desde o primeiro minuto após a saída do aeroporto. O que é certo é que naquele momento tudo aquilo me pareceu um tremendo oásis de organização e calma.
Vozes em português fizeram-me levantar os olhos do quadro dos horários que há uns bons minutos tentava decifrar em vão devido ao meu fraco conhecimento da rede de linhas e estações. Rapidamente interpelei os três estranhos que deviam ser pouco mais novos que eu. Uma conversa rápida, a troca de informação básica, o guia com os horários dos comboios, uma breve referência aos planos de viagem, bilhetes de comboio para todos, uma troca de contactos e um desejo franco de boa viagem à saída do recinto da estação.
Estava de novo sozinho nas ruas. Com uma máquina fotográfica na mão, dois bilhetes de comboio no bolso e umas tantas lições aprendidas à força num par de horas, a realidade ganhava finalmente forma à minha volta e eu começava aos poucos a fazer parte dela. Apanhei um rickshaw rumo à India Gate e desapareci no meio do trânsito caótico...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

até já

Durante as próximas cinco semanas as entrevistas de emprego são apenas no local acima fotografado. E é quase dia 5.
(lamayuru)

domingo, 2 de agosto de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

obrigado Cabral


Aquilo a que chamaria pirosamente o pensamento do dia se o autor viesse de outro lado que não o Brasil. Assim basta ler apenas com sotaque:
"relaxa se nao, não encaixa"

o guia turístico

Acredito que todos aqueles que viajam sozinhos têm o secreto pensamento de voltar um dia a passar exactamente pelos mesmos sítios, sobretudo para os rever através do reflexo dos olhos de outros.

one week to go





Deitado ao comprido no banco de trás, conseguia apenas ver o céu que passava sobre a minha cabeça. Lembro-me sempre de imaginar como seria ter um veiculo ali mesmo, so para mim, que me deixasse ir planando lá no alto ao ritmo do carro e ver a paisagem duma perspectiva diferente. Adormecia sempre embalado pelo barulho da estrada e pelo pensamento.
As viagens de carro deram lugar às de avião e o novo alcance trouxe ainda mais encanto. As minhas memórias voltam quase sempre a um verão no Peloponeso onde, de chapéu encarnado e óculos de sol, já chateava mais o guia que qualquer um dos adultos. As viagens continuaram e os lugares sucederam-se a um ritmo interessante. Sem grande controlo sobre os destinos tive o privilégio de picar quatro continentes até ao dia em que passei a ser independente também nas viagens.
Partir deixou de ser apenas uma maneira de fazer férias ou de estar com amigos em qualquer parte. Tornou-se uma prioridade, algo que sigo por instinto, uma necessidade e sobretudo uma forma de equilibrar tudo o que se passa entre trânsitos, na vida do dia-a-dia.
Passados 25 anos e mais de 20 países, tentarei pela primeira vez escrever alguma coisa que outros possam ler sobre os sítios onde vou estar nos próximos tempos.
Deixando para trás as muitas horas passadas num escritório em Argel, numa vila da qual eu era o único habitante fica apenas uma decisão que nasceu no silencio. Nas próximas cinco semanas estarei na Índia e no Nepal e conto fazer neste blog, tantas vezes quantas forem possíveis, um relato que será mais tarde e com outra calma, readaptado em dicas de viagem que tiver a sorte de ir descobrindo.

domingo, 26 de julho de 2009

compras aí, courses ici

Quando cheguei a Argel há uns meses atrás, lembro-me de que uma das coisas que me fizeram relativa confusão foi o facto das lojas alimentares, mesmo as maiores, serem muito pequenas quando comparadas com o que estamos habituados em Portugal. Achei que ia ter dificuldade em encontrar algumas das coisas que me pareciam na altura essenciais para uma vivência superior à sobrevivência.
Há uns dias a Sandra foi às compras, e apesar de estar no Brasil também ela não encontrou todos os produtos da lista.

a seu tempo

Devia lembrar-me mais vezes das aulas de musica que tive quando era pequeno. Afinal, muito mais do que uma questão de notas a musica é também uma questão de tempos que têm obrigatoriamente de ser respeitados.

Muitos anos depois percebo finalmente porque é que o meu teclado não soava como o dos restantes. Poderia justificar-me com um problema de coordenação ou de falta de “ouvido” mas a verdade é que só agora vejo o quão me é difícil entender e conviver com os tempos de outros.

sábado, 4 de julho de 2009

medi + terraneus

Vontade imensa de atravessar isto por tempo indeterminado, fazer desafios sem medo das consequências, responder a outros tantos sem medo de errar. O verão está mesmo aí!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

disturb... but only for good reasons

É fim de semana e ao contrário de há uns meses atrás, estes dias são meus. Obrigado, bom dia e até sábado.
(Oran)

domingo, 28 de junho de 2009

back to school

O Peugeot preto ia invariavelmente carregado com um ano de coisas para cada último exame da época de verão. Lembro-me perfeitamente de ser o exame em que estava mais concentrado, mas ao mesmo tempo aquele em que sentia menos pressão. Lembro-me como se fosse hoje de sair da sala, falar com os amigos, de falar dos planos para os próximos dias, dos encontros em qualquer parte, de partir sempre sozinho para sul.

Acredito que cada um de nós, tenha ou não os seus rituais, sabe que aquele último dia tem um sabor irrepetível a liberdade inútil, tão útil.

sábado, 27 de junho de 2009

África bohemia

Apesar de saber que os animais do Sahara são os dromedários, também sei que na Argélia não há cerveja Sagres, logo... alguma coisa de muito errado se passa nesta imagem.
Ah não!! Esperem!! Foram apenas a vontade de rever os amigos e gritá-lo bem alto que me fizeram lembrar desta fotografia. Até já!

united colors for dinner

Apenas um prato, não é sinónimo de falta de côr numa refeição.

on y va?

Porque as férias se aproximam e a calma pode ter muitas moradas, é hora de reflectir, mas não muito!